ESSA MOÇA NOVA DE AGORA. É lógico que me olhando ela não gostava. Eu não ia gostar de ver o seu jeito comigo se fosse ela. Entendi. Ela já foi, e agora você pôs outra mais burra no lugar. Não entendo essa coragem que você tem de brincar com as pessoas como não entendo a queda dos acentos circunflexos em geral. ...

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Essa moça nova de agora

SOBRE: aline dias, crônica, essa moça nova de agora, moça

Autor: Aline Dias

14 de abril de 2014

É lógico que me olhando ela não gostava. Eu não ia gostar de ver o seu jeito comigo se fosse ela. Entendi. Ela já foi, e agora você pôs outra mais burra no lugar. Não entendo essa coragem que você tem de brincar com as pessoas como não entendo a queda dos acentos circunflexos em geral.

Por mim seguiriam inclusive os acentos diferenciais, e você sozinho. Vou querer você comigo só depois da covardia, com a barba bem grande, sopa feita e juras de definitivo.

Eu não posso te olhar do lado dela, e nem aceitar esse encontro fajuto, de acaso fingido.

Eu sabia que você iria, e você sabia que eu iria. Quando tocaram aquela música que é nossa, você também ficou de estômago virado. Fingi que não te vi. Fingi que não sabia quem era ela e achei absurdo que você não nos apresentasse.

Ela me viu, essa moça nova aí. Ela viu inclusive que toda vez que você não estava olhando eu te olhava, e que eu sabia exatamente onde você estava. Ela entendeu que está no lugar errado, e apertou forte a sua mão, te abraçou, tentou. Só você não sustentou o aperto, o abraço, o sorriso dela.

Fiquei com dó. Você me acenando, eu quebrada por dentro, alterada, querendo correr e pular no seu colo. Você me acenando, eu fingindo não ver. Ela ali, do seu lado, esquecida. Depois eu te vi passar com ela, presa pela própria vontade de estar com você, sustentando ela mesma as próprias mãos e o carinho.

Da última vez antes desse encontro tinha havido um beijo de cinema. Eu e você na praça, depois um taxi. Meu ex-cunhado viu e disse que parecia coisa de novela, e que éramos lindos demais. Agora vem você me olhando enquanto tinha luz acesa, e eu de volta, e você sabendo que eu não ia acenar.

Pode ser muito coisa da minha cabeça, mas eu acho que você sabe do tamanho que tem aqui. Ouvir sua voz gritando meu nome. Virar pra traz num susto danado. Quase abraçar, mas sem que a gente se encoste.

– Você está bem?

 

Aline Dias escreve às segundas-feiras

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Sarah Princesa

Sarah Princesa

Quando Sarah nasceu, todos acharam que daria uma princesa: a menina é linda, filha do rei e ainda se chama Sarah. Algumas pessoas acham que Sarah princesa tem sempre uma lição a ensinar, mas elas estão enganadas. A garota é dessas que se aprende a amar com o tempo.

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Baliza de Navio e Outras Crônicas

Baliza de Navio e Outras Crônicas

O livro Baliza de Navio e outras crônicas foi escrito originalmente como trabalho de conclusão de curso na minha graduação em jornalismo. Em 2011, ele ganhou o prêmio da Secretaria de Estado de Cultura do Espírito Santo (Secult) na categoria crônica. Desde então, espero com amor (e um pouco de impaciência) por ele aqui na rua.

Natasha Siviero

A autora

Natasha Siviero é jornalista e escreve neste blog crônicas que às vezes dormem e às vezes não dormem e às vezes falam do próprio umbigo, embora o professor recomende que não. Em 2011 ganhou o prêmio da Secult com o livro Baliza de Navio e outras crônicas. Em 2012, publicou Sarah princesa, seu primeiro livro ilustrado.

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