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7×1

SOBRE: 7x1, crônica, Marcela Rangel

Autor: Marcela Rangel

21 de agosto de 2014

Você não vai falar. Não adianta que comunicação é coisa feita para dois. Fiquemos assim, meu amor. Eu não te ligo, você não me telefona, eu não te passo mensagem alguma que nem celular mais eu tenho.

O que foi dito foi dito, o que não foi a gente deixa decantar, feito sujeira em fundo de mar. Eu sou sujeira em fundo de mar. Eu sou suja. Eu faço crônica suja. Ferreira Gullar que me abençoe, Deus que me perdoe. Nos meus textos seu olho bate logo na palavra buceta e eu agora tomo cerveja em buteco escrito com u e que tem banheiro pichado de quente, azul, azul quente, azul sendo a cor mais quente.

Você gostava do meu lado sujo, quando era bandido, banido aos outros, permitido só a você, dono dos meus engenhos. Deixa eu te contar um segredo? É uma coisa que só você vai saber, fica entre nós dois, indivíduos que não nos falamos mais.

É mentira. O que eu disse lá em cima, sabe? É mentira! Arrumei um celular dois dias antes do primeiro de agosto, a data fatídica pra mim. No seu calendário a marca está no dia 2 deste mês averso a gosto, este mês sem gosto, não fossem os leoninos que me complementam no meu modo tão aquariano. Eu primeiro, você segundo, que você disse que precisou de um dia a mais.

Um ano passa rápido, todo mundo me disse. Um dia demora a passar, minha garganta seca denunciou. Olhei com olhar intrépido para o aparelho, fingindo que ele não me assustava. Fiquemos assim, Marcela. Você me liga e eu prometo te aterrorizar poucas vezes ao dia, mas sinto dizer não posso evitar meu toque estridente programado de fábrica. Tá bom, Chico. Apelidei-te de Chico: da primeira geração, dramático e com músicas para mulheres. Você tem certo charme vintage, que colocado assim nem parece que é só velho mesmo.

Eu não estou pronta pra contar para o mundo a novidade, Chico, não nesse primeiro de agosto. Quem sabe amanhã, que é dele o fatídico. Por enquanto me atenho aos fatos, que tentam me convencer verídicos. Comunicação é coisa feita para o que teve fim.

 

Marcela Rangel escreve às quintas

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Sarah Princesa

Sarah Princesa

Quando Sarah nasceu, todos acharam que daria uma princesa: a menina é linda, filha do rei e ainda se chama Sarah. Algumas pessoas acham que Sarah princesa tem sempre uma lição a ensinar, mas elas estão enganadas. A garota é dessas que se aprende a amar com o tempo.

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Baliza de Navio e Outras Crônicas

Baliza de Navio e Outras Crônicas

O livro Baliza de Navio e outras crônicas foi escrito originalmente como trabalho de conclusão de curso na minha graduação em jornalismo. Em 2011, ele ganhou o prêmio da Secretaria de Estado de Cultura do Espírito Santo (Secult) na categoria crônica. Desde então, espero com amor (e um pouco de impaciência) por ele aqui na rua.

Natasha Siviero

A autora

Natasha Siviero é jornalista e escreve neste blog crônicas que às vezes dormem e às vezes não dormem e às vezes falam do próprio umbigo, embora o professor recomende que não. Em 2011 ganhou o prêmio da Secult com o livro Baliza de Navio e outras crônicas. Em 2012, publicou Sarah princesa, seu primeiro livro ilustrado.

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